
A reação de um torcedor fervoroso diante uma derrota de sete gols contra um, levando o time dos sonhos ao fim de uma final, pode ser comparada ao término de um relacionamento amoroso.
Vamos lá: Enquanto está tudo a mil maravilhas, escalação certeira, duo, idem! Dribles perfeitos em campo e arquibancada em delírio. Noventa minutos de pura sedução, igual a noventa dias e meio de amor, êxtase total no jogo a dois.
Primeiro beijo, fogo intenso!Primeiro gol, intensos fogos!
Derrota do clube no gramado, vaia geral, igual à pisada na bola, coração do amado expelido do campo amoroso.
As flores murcham e os espinhos crescem espantadoramente, igualzinho à…
Na partida entre Brasil e Alemanha, essa semelhança foi clara. No começo, o hino, a emoção, o verde e amarelo estampado no rosto de milhares de brasileiros. Primeiro gol dos alemães, um silêncio, uma crise, feito briga de casal, que logo passa. Dois a zero, a sensação de que ainda poderia dar certo, algo do tipo: não vamos desistir, é só uma fase, nada que o tempo (intervalo) não resolva. Três. Quarto gol, quinto, sexto, sétimo. Daí a torcida virou a casaca, queria oito, nove, quem sabe dez.
Fim de namoro, cena parecida. A rivalidade entra em campo, empate não serve, alguém quer ganhar de goleada, aí, sai de baixo que a bolada pode doer. É o mata-mata.
(Foto: Jefferson Bernardes/Vipcomm)