Crônica da crônica

Ao ler a crônica “A interferência do tempo”, da escritora e cronista Martha Medeiros em seu livro “Coisas da Vida”, que é uma compilação de textos seus publicados em jornais, me dei conta do porque tenho vontade de voltar ao meu clube de campo de infância onde as lembranças são as melhores possíveis, mas ao mesmo tempo penso que preferia deixá-lo na memória.

A piscina era um oceano infinito, o escorregador parecia me fazer descer do céu. E aquele cheiro de água que sinto até hoje num respirar profundo… tudo era imensidão.

Essa história toda me fez lembrar também dos ovos de páscoa que recebia da minha tia rica. Pareciam tão grandes que mal cabiam em meus braços. E a árvore de Natal, gigantesca!

Mas daí a gente cresce e vê que o papai noel não existe, que o coelho era uma farsa e os chocolates não passavam de duzentos gramas de artificialidade embrulhados numa embalagem de design ilusório e convidativo.

Ah, e os amores? Esses são personagens de filme…de terror, suspense e pura fantasia.

Acho que é por isso que reluto sempre em visitar o tão bem aproveitado clube da minha vida, porque assim mantenho na lembrança aquela vastidão toda me esperando sempre de braços abertos, sem filtro, sem falsidade, numa ilusão inocente e necessária.

(Imagem: Freepik)

Delegacia 24h e 180 pelo WhatsApp: duas vitórias das mulheres nesta semana

Olha isso, que interessante, já está disponibilizado desde esta terça-feira (4) o canal no WhatsApp do serviço de atendimento Ligue 180, que orienta e encaminha denúncias contra mulheres

De acordo com informações da Agência Brasil, o atendimento será feito inicialmente pela atendente virtual, chamada Pagu, com algumas opções de ajuda, mas a qualquer momento uma atendente da central pode ser acionada.

Para adicionar o Ligue 180 no WhatsApp, basta enviar uma mensagem para o número (61) 9610-0180 ou pelo link.

Outra vitória da mulherada, aliás demorada a chegar, é que as delegacias especializadas de atendimento à mulher (Deam) agora passam a ter atendimento obrigatório 24 horas por dia, ou seja, sete dias por semana, incluindo feriados.

Era até difícil de entender que um atendimento desse não funcionasse assim, como se casos de agressão só acontecessem durante o horário comercial, mas, enfim, agora tudo parece estar entrando nos eixos e a mulher ganhando forças cada vez mais.

Segundo a Agência Senado, a obrigatoriedade do funcionamento ininterrupto desse tipo de delegacia passa a valer imediatamente, porque a Lei 14.541, sancionada pelo presidente da República, Luíz Inácio Lula da Silva, foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (4).

Informação útil em defesa da mulherada é sempre bem-vinda aqui.

(Imagem: Freepik)

Sororidade: do Chico à expulsão no BBB

Moça, acho que o “seu Francisco” manchou sua saia. Assim dei início, meio e fim a uma frase que ensaiei por alguns 30 segundos antes de falar com uma mulher que entrava em uma padaria com a vestimenta manchada supostamente de sangue.

Será que eu devo? Pensei por alguns instantes, sem sequer conseguir me concentrar no simples pedido de um pãozinho. E se fosse comigo, acharia ruim? Xingaria a pessoa por se intrometer na minha vida, na minha saia, no meu Chico? Dependendo da forma como a mensagem fosse passada, sim.

E se viesse com uma gargalhada? Dar-lhe-ia uma boa bofetada. O “dar-lhe-ia” aqui foi pra ver bem o tom da minha seriedade furiosa. Não, não acertaria sua fuça, porque ainda poderia ser processada, mas meus nervos ficariam à flor da pele.

Caso chegasse com indiscrição também não iria aceitar com naturalidade.

Mas e se fosse falado bem de cantinho, só pra ela ouvir? Ainda assim haveria o risco de ela dizer que a vida é dela, o Chico dela é dela e eu nada tenho a ver com isso.

Mas e se eu não dissesse nada? Ah, teria uma briga interna comigo, ficaria o dia todo intrigada, irritada e incomodada por me calar. Quer saber, dane-se, vou falar, pensei.

Esperei a moça entrar no carro, pedi para baixar o vidro e falei a tal frase acima citada com uma cara já sem graça de quem havia se intrometido.

Sei que muitas pessoas teriam me repreendido com algo do tipo: por que você só não viu, ficou quieta e foi embora, para de se meter na vida dos outros. Mas ela agradeceu com um pequeno sorriso e eu fui embora com a minha sororidade do dia cumprida.

E por que resolvi trazer esse tema hoje aqui? Pra dizer que sou legal? Não, aliás, sou chata pracarai, como dizem algumas pessoas, a começar por alguns caras quando eu me meto a ser “feminista”, ou melhor a lembrar sempre que o mundo mudou, que os direitos são os mesmos, que não é não, que não existe fica quieta, tom ameaçador, nada disso. Aliás, a depender de muitos desses aí, deveríamos usar o ChatGPT para perguntar tudo o que devemos falar frente a eles para não incomodá-los. Ah, nos poupe, meninos.

E só para finalizar, essa semana vimos um belo exemplo de sororidade após o episódio de assédio de dois integrantes do reality show brasileiro BBB 23. Ao serem expulsos do programa, aliás, ato imprescindível, a vítima sentiu-se culpada e foi amparada pelas meninas da casa. “É um posicionamento que é necessário ser feito”, disse uma delas.

Sim, precisamos nos posicionar, ajudar, chamar de cantinho quando necessário desde as atitudes simples às mais complexas.

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Com que roupa?

Não sabe a hora de usar aquela roupinha linda? A hora é agora

Já parou para pensar nas inúmeras roupas que estão abarrotando seu armário, principalmente as que deixa de usar à espera de um momento especial?

Mas que momento especial é esse? A hora é agora, porque não sabemos que dia a “nossa hora” vai chegar. Pode ser amanhã, e aí, como fica aquele vestidinho lindo que você comprou, pagou à vista com desconto, e nunca tirou do cabide?

E também pensando nesse momento em que poucos pensam, já parou para pensar que look vai usar? Será que quem vai te arrumar vai saber das suas preferências ou acabar colocando qualquer coisa, já que você vivia de qualquer jeito mesmo?

Calma, espero que esse dia demore muito a chegar, foi só uma forma de lembrar aqui como a comunicação é fundamental em tudo na vida, e após ela também.

Sim, é doido isso, mas é algo que se deva debater, pois é capaz do tal  “estilista” da despedida não te agradar muito e te vestir justamente com aquela blusinha batida e aquele shortinho jeans que você só tira pra lavar achando serem os seus modelitos preferidos pro resto do fim do mundo.

E se isso acontecer vai fazer o quê? Puxar a perna dele de noite? Até pode fazer isso, mas não vai resolver muita coisa.

Mas você deve estar pensando: menina, porque esse papo tão fúnebre nesse dia tão solorento e lindo?

Pois bem, te respondo. Ao visitar uma pessoa que se foi, vi em sua lápide uma foto pálida, sem graça, sem vida, sem cor, sem nada. Não me pareceu algo digno de quem lá se hospedava para o resto do infinito.

Cadê o sorriso visto em outras tantas fotografias? Cadê aquele olhar cheio de brilho naquela póstuma homenagem? Cadê o cabelo sempre arrumadinho? Nem um filtrozinho. Logo ela, que amava um recurso pra ficar mais bela! Olha, a defunta deve ter levado uns dias pra aceitar essa fotinho feia e cinza.

Não, não era essa a imagem que deveria estar lá, com certeza não. Como diz o ditado popular, a dita cuja deve ter se revirado no caixote ao saber dessa fotografia enfeitando aquele funesto lugar.

Não cheguei a ver sua vestimenta em sua despedida, mas imagino ter sido uma qualquer, talvez escolhida pelo mesmo selecionador nonsense da fotografia.

Diante dos fatos, uma dúvida pairou e não para de remoer meu pensamento: devo deixar minha roupa linda e que mais amo para usar quando não mais preciso for porque quero eternizar esse momento lindona e garantir assim que nenhuma bola fora será dada ou aproveito qualquer ocasião da vida para fazer dessa peça algo realmente especial?

No calor da emoção, a segunda opção me faz mais sentido, mas sair de cena de qualquer jeito também me frustraria. Ó, céus!

Junto a essa indagação, uma constatação: passar pra frente tudo o que não uso, não gosto, assim não corro o risco de ir pro além mulambenta.

Mas não vou pensar nisso agora, até porque  espero que esse seja um futuro bem distante, num dia que demore muito a chegar.  Uma coisa eu aprendi nessa história, meu presente vai mudar, vou viver mais, curtir mais e usar tudo o que tenho e gosto hoje, nada de roupinha nova à espera do novo. O novo é a vida. O resto a gente descreve depois.

(Imagem: Freepik)

Mulher vingativa: veja o que fez uma ex

Mulher vingativa e agora livre e rica

Cleptonilda era casada com Gilvandêncio, um casamento perfeito, típico de causar inveja às amigas e vizinhas. Estava muito longe de um dia pensar em se tornar uma mulher vingativa – não havia motivos para isso.

Mas como a perfeição mora no mundo das ideias, uma traição do marido veio à tona e o castelo da moça ruiu.

Sabida de seus direitos de mulher casada, tratou de colher todas as provas da traição e contratou um advogado.

O que Clepto não esperava era mais uma rasteira amorosa. O marido era tão sedutor, mas tão sedutor, que acabou seduzindo o advogado que, na audiência do divórcio, virou a casaca e ficou do lado do cara e a mulher não recebeu sequer um centavinho do pouco que havia construído com o canalha em dez anos de matrimônio, suor e muito esforço.

Cego de paixão, o advogado, que era riquíssimo, se casou com Gil em regime de comunhão total de bens, afinal, o amor estava em primeiro lugar.

Para se vingar de ambos, a ex, abalada com a dupla traição, procurou uma mulher para seduzir Gilvandêncio, até que ele foi pego no flagra pelo então marido doutor.

O advogado se separou, mas perdeu metade dos seus bens.

Com os mesmos dotes sedutores de uma década atrás, Clepto conseguiu reconquistar o ex, que voltou perdidamente apaixonado para os seus braços.

Para aceitar se casar novamente com o rapaz, algumas condições foram impostas pela mulher, todas aceitas por Gil. A mansão e os carros ficariam apenas no nome da esposa e todas as contas bancárias seriam abertas em conjunto. O moço aceitou tudo, afinal, ele conhecia muito bem Cleptonilda e sabia que ela jamais faria algo que o prejudicasse.

Uma semana após o enlace, lá estava Gil, posto para fora do seu lar, doce lar, apenas com a roupa do corpo e com as contas bancárias rapadas pela mulher vingativa, que se tornou a mais nova rica, livre, leve e solta bela do pedaço.

(Imagem ilustrativa: Freepik)

Conto escrito pela jornalista Claudia Rato, autora do livro Pra mim você morreu. Leia outros contos com histórias inusitadas de amor.

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