
“Nós somos jovens, somos todas na faixa de vinte, trinta e quarenta anos…”. Acabei de ouvir essa fala em parte de uma entrevista numa rádio de “tricotadeiras” de São Paulo. Elas fazem parte de um grupo de mulheres recicladoras, integrantes do “Coletivo feito à mão”.
Referindo-se ao trabalho manual, uma das entrevistadas disse algo que pode ser estendido para a vida. “Tem coisas que têm preço e têm coisas que têm valor”.
Então, eu pergunto. O que devemos reciclar e o que precisa ser jogado fora? Pergunta não tão fácil de responder, quando se trata de uma questão que vai além do universo das matérias e sim de uma reciclagem que bate à alma.
Quanto ao material, não é algo tão difícil de se (des)fazer, embora muitas pessoas continuam alienadas nessa temática. Hoje mesmo vi um sujeito jovem, devia ter entre vinte, quarenta anos, jogando seu lixo num saco preto em um terreno abandonado. Xinguei o cara, mas depois pensei, esse está em pleno abandono de luz, inconsciente e inconsequente.
O sujeito jogou fora o que para ele não servia mais. Mas quando o assunto vai além dos sacos pretos, a coisa fica difícil. Não há terreno baldio que suporte ressentimentos, mágoas e desamores ensacados. Para o lixão do pobre rapaz há solução e tem até cura, um pouco de educação resolve, mas e o resto? Onde jogar fora tudo o que um dia teve valor, pagamos preço alto e foi inflacionado, até falir? Onde fica esse aterro?
Obs. Essas tricotadeiras da foto não são as mesmas do “Coletivo feito à mão”.