
Já imaginou nascer, crescer, ir para a escola, fazer amigos, namorar, casar, sem ter um nome próprio, sequer um apelido ou sobrenome?
Assim vivia …, que muitas vezes sonhava acordada pensando como seria se pudesse se chamar Maria, Joana, Joaquina, Clarice, Mirna, Luana…
… passava dias lendo clássicos da literatura para se aprofundar nas personagens e ver se seus epítetos teriam alguma coisa a ver com ela. Das Alices, às Capitus, Julietas, Emmas, Lolitas, Annas, estava sempre ela a observar.
A menina, de várias tranças no cabelo, adorava esse universo literário, mas nunca nenhum nome a agradava a ponto de presenteá-la com um registro único.
O tempo passou, … se casou, separou, teve filhos e todos tinham ao menos três nomes compostos, eram eles, Julian Mateo Carlito, Anita Clara Maria e Matilda Monique Angel.
A ausência de um nome era para … a presença infinita de várias possibilidades, pois sentia-se livre, sendo única e o mesmo tempo podendo ser quem bem quisesse a cada instante. E foi o que fez, cada dia dando a si uma denominação diferente.
A imaginação corria à solta e, com ela, suas fantasias e desejos de ser várias mulheres num único corpo. Já foi Crisália, Benedita, Ana, Marcelina, Justina, Diana, Giordina, Elisabeth, Isabel, Estefânia, Lindaura, Casemira, Clarita, Leonilda, Antenora…
Para cada dia, uma personagem, uma personalidade, uma vida nova, um novo amor.
(Imagem ilustrativa: Freepik)