Já ouvi alguns casos sobre sumiço de alianças, dos mais diversos tipos, desde as comuns e verdadeiras histórias do “caiu no ralo”, “escorregou do dedo”, até desculpas das mais esfarrapadas para justificar tal desaparição.
Lembro-me de uma, bastante inusitada por sinal, de um casal que, num ritual de separação amigável, resolveu se desfazer dos anéis, jogando-os em um riacho, seguido de um abraço de despedida e um longo e profundo beijo daqueles de filme americano pra ninguém botar defeito e deixar qualquer pessoa morrendo de inveja – seria tudo muito romântico e lindo, não fosse o rio sujo e mau cheiroso e o clima de adeus.
Essa semana, as redes sociais destacaram a aparição de uma aliança, encontrada por uma mergulhadora na Espanha. Calma, não tem nada a ver com a história dos pombinhos separados, até porque suas joias, no máximo, poderiam ter ido parar no Tietê.
Mas, voltando às águas límpidas europeias, foi por meio de uma publicação no Facebook que a instrutora de mergulho chegou até o dono da joia, que ficou muito surpreso com o reencontro – pudera, ele havia perdido o anel quase quatro décadas atrás, quando saiu para dar um mergulho no mar com sua querida esposa, com quem vive até hoje. Feliz da vida, assim que recebeu essa preciosidade de volta, tratou de colocá-la no dedo, pra nunca mais deixar cair.
Essa história reforçou minha lembrança sobre o casalzinho do córrego. Será que eles viram essa notícia?Estariam inseparáveis até hoje? Será que alguém encontrou as alianças deles? Talvez tenham sido derretidas e se transformado numa viagem de lua de mel de alguém! Teria sido aquela uma separação passageira? E aquele beijaço, não seria um recomeço? Vai saber, são tantos os mistérios dessa vida que dá tantas voltas…
