Marina casou. Maria está casada. Marina continua casada. Marina está apenas casada. Marina sonhou. Marina não quis acordar, mas acordou e agora não para de sonhar.
Essa é a história dela, a Marina, que narrou uma verdadeira utopia, traduzida mais ou menos assim…
Sabe quando a gente acorda no meio de um sonho maravilhoso, de quase realização platônica, prestes a explodir, quando o despertador vem e detona com tudo? Pois bem, aconteceu com a Marina. Mas ela não é feito maioria. Ela consegue parar onde o encanto ia começar e tudo volta a acontecer. Foi o que fez.
Desligou-se do tempo, do despertar, fechou os olhos e voltou ao seu sonho, exatamente no momento em que os lábios se tocavam e sua alma estremecia. Mas Marina precisou acordar.
Sabe aquele banho gelado que ninguém consegue tomar no inverno? Marina tomou. Só assim conseguiu esfriar a cabeça, o corpo e o pensamento.
O dia passou e Marina não se concentrava. Ela sabia da quimera ilusão desse aproximar tão distante, mas pensava na máxima de Cocteau: “não sabendo que era impossível, foi lá e fez”, mesmo sabendo da mínima que o protagonista desse sonho poderia a ela retribuir.
Tudo era muito distante, tudo, mesmo assim, o jovem rapaz não saiu da sua cabeça. Marina tinha a sensação de que ele também sonhara com ela o mesmo sonho, nesse mesmo dia.
Mas Marina escolheu sonhar mais um pouco, e resolveu dormir. O dia amanheceu e, num passe, a magia acabou. Bom pra Marina, que ao menos sonhou!
(Marina não é a Marina, mas sim uma mulher sonhadora que pediu para eu transformar essa sua história num conto. Espero que ela goste – e você também)