
Ao ler a crônica “A interferência do tempo”, da escritora e cronista Martha Medeiros em seu livro “Coisas da Vida”, que é uma compilação de textos seus publicados em jornais, me dei conta do porque tenho vontade de voltar ao meu clube de campo de infância onde as lembranças são as melhores possíveis, mas ao mesmo tempo penso que preferia deixá-lo na memória.
A piscina era um oceano infinito, o escorregador parecia me fazer descer do céu. E aquele cheiro de água que sinto até hoje num respirar profundo… tudo era imensidão.
Essa história toda me fez lembrar também dos ovos de páscoa que recebia da minha tia rica. Pareciam tão grandes que mal cabiam em meus braços. E a árvore de Natal, gigantesca!
Mas daí a gente cresce e vê que o papai noel não existe, que o coelho era uma farsa e os chocolates não passavam de duzentos gramas de artificialidade embrulhados numa embalagem de design ilusório e convidativo.
Ah, e os amores? Esses são personagens de filme…de terror, suspense e pura fantasia.
Acho que é por isso que reluto sempre em visitar o tão bem aproveitado clube da minha vida, porque assim mantenho na lembrança aquela vastidão toda me esperando sempre de braços abertos, sem filtro, sem falsidade, numa ilusão inocente e necessária.
(Imagem: Freepik)