Com que roupa?

Não sabe a hora de usar aquela roupinha linda? A hora é agora

Já parou para pensar nas inúmeras roupas que estão abarrotando seu armário, principalmente as que deixa de usar à espera de um momento especial?

Mas que momento especial é esse? A hora é agora, porque não sabemos que dia a “nossa hora” vai chegar. Pode ser amanhã, e aí, como fica aquele vestidinho lindo que você comprou, pagou à vista com desconto, e nunca tirou do cabide?

E também pensando nesse momento em que poucos pensam, já parou para pensar que look vai usar? Será que quem vai te arrumar vai saber das suas preferências ou acabar colocando qualquer coisa, já que você vivia de qualquer jeito mesmo?

Calma, espero que esse dia demore muito a chegar, foi só uma forma de lembrar aqui como a comunicação é fundamental em tudo na vida, e após ela também.

Sim, é doido isso, mas é algo que se deva debater, pois é capaz do tal  “estilista” da despedida não te agradar muito e te vestir justamente com aquela blusinha batida e aquele shortinho jeans que você só tira pra lavar achando serem os seus modelitos preferidos pro resto do fim do mundo.

E se isso acontecer vai fazer o quê? Puxar a perna dele de noite? Até pode fazer isso, mas não vai resolver muita coisa.

Mas você deve estar pensando: menina, porque esse papo tão fúnebre nesse dia tão solorento e lindo?

Pois bem, te respondo. Ao visitar uma pessoa que se foi, vi em sua lápide uma foto pálida, sem graça, sem vida, sem cor, sem nada. Não me pareceu algo digno de quem lá se hospedava para o resto do infinito.

Cadê o sorriso visto em outras tantas fotografias? Cadê aquele olhar cheio de brilho naquela póstuma homenagem? Cadê o cabelo sempre arrumadinho? Nem um filtrozinho. Logo ela, que amava um recurso pra ficar mais bela! Olha, a defunta deve ter levado uns dias pra aceitar essa fotinho feia e cinza.

Não, não era essa a imagem que deveria estar lá, com certeza não. Como diz o ditado popular, a dita cuja deve ter se revirado no caixote ao saber dessa fotografia enfeitando aquele funesto lugar.

Não cheguei a ver sua vestimenta em sua despedida, mas imagino ter sido uma qualquer, talvez escolhida pelo mesmo selecionador nonsense da fotografia.

Diante dos fatos, uma dúvida pairou e não para de remoer meu pensamento: devo deixar minha roupa linda e que mais amo para usar quando não mais preciso for porque quero eternizar esse momento lindona e garantir assim que nenhuma bola fora será dada ou aproveito qualquer ocasião da vida para fazer dessa peça algo realmente especial?

No calor da emoção, a segunda opção me faz mais sentido, mas sair de cena de qualquer jeito também me frustraria. Ó, céus!

Junto a essa indagação, uma constatação: passar pra frente tudo o que não uso, não gosto, assim não corro o risco de ir pro além mulambenta.

Mas não vou pensar nisso agora, até porque  espero que esse seja um futuro bem distante, num dia que demore muito a chegar.  Uma coisa eu aprendi nessa história, meu presente vai mudar, vou viver mais, curtir mais e usar tudo o que tenho e gosto hoje, nada de roupinha nova à espera do novo. O novo é a vida. O resto a gente descreve depois.

(Imagem: Freepik)

Faça como a Shakira e dê a volta por cima

Cena do clipe Te Felicito – reprodução YouTube

Dias desses vi o filme Tolerância, que aliás indico, em que uma das personagens, a Anamaria, vivida na pele da atriz Maria Ribeiro, era amante de um cara casado, que vivia um casamento supostamente aberto. Até então, marido e esposa acreditavam aceitar numa boa um relacionamento extra. O fato é que, na prática, no momento em que se viram em situações reais dessa abertura, tudo mudou.

Para colocar mais pilha na discussão do casal e deixar a prova de que esteve na casa dos dois na ausência da esposa do amante, Anamaria resolveu jogar pelo ralo todo o xampu da mulher que, ao chegar e ir ao banheiro, viu o frasco vazio, se dando conta de que alguém teria utilizado o conteúdo, sabida de que não seria o marido e que certamente se tratava de uma traição.

E como a vida imita a arte e a arte imita a vida…

Recentemente deu para ver que não é apenas nos filmes que essas cenas acontecem. Os bastidores da vida real mostram que isso ocorre mundo afora, na vida amorosa dos mais pacatos casais até os mais badalados, como foi o caso da cantora colombiana Shakira e seu então marido, o jogador de futebol Gerard Piqué.

O casal está separado desde o ano passado, mas foi agora, em janeiro, que a motivação desse desenlace veio à tona e se tornou um dos assuntos mais comentados nos sites de fofocas de celebridades. E tudo isso por conta de um pote de geleia de morango.

Isso mesmo, da mesma forma que a esposa do filme percebeu que algo estava errado e que alguém teria usado o seu xampu, Shakira desconfiou do marido por conta de um pode de uma iguaria que apenas ela comia em casa, já que o marido e filhos não curtiam.

Logo sacou que alguém estaria usufruindo de sua casa, de seu marido e de sua geleia enquanto ela viajava para fazer seus shows. E assim ela descobriu a traição do cidadão.

O fato é que a cantora soube virar o jogo e ao invés de choramingar pelos cantos, decidiu se vingar em suas letras e que viraram um sucesso tremendo.

No ano passado, ela já havia produzido um clipe com a música “Te felicito” e que ela aparece abrindo uma geladeira, deparando-se com a cabeça de um homem ao lado de alguns potes. O vídeo alcançou mais de 542 milhões de visualizações na plataforma YouTube desde que foi lançado.

O caso repercutiu dia desses, já que a cantora passou a fazer novamente insinuações sobre esse fato em suas recentes músicas.

A artista, que já é uma das mais famosas do mundo, conquistou o primeiro lugar em sua mais nova música “Music Sessions Vol 53“, com várias indiretas ao ex, alcançando sucesso enorme, sendo essa a canção espanhola mais ouvida em um único dia com mais de 14 milhões de streams no Spotify, além de lucrar muita grana novamente no YouTube, já que a moça ultrapassou 182 milhões de visualizações desde 11 de janeiro. Já parou pra fazer uma continha bem rápida de quanto a cantora faturou transformando a dor de corno em belas cifras?

E você, já passou por alguma situação assim ao descobrir uma traição de forma inusitada? Se sim, o que fez para dar a volta por cima na descoberta de um tal pote de morango dentro da sua geladeira comido por uma terceira pessoa, um frasco de xampu vazio ou algo parecido?

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A variante do bordel

A pequena e pacata cidade de Paraguape do Sul amanheceu em alvoroço quando os moradores acordaram com a notícia da infestação de uma variante pegajosa e extremamente contagiosa descoberta dentro do único prostíbulo local.

Anteonardo ainda estava na cama quando leu a matéria no Troçobuqui, a rede social mais acessada no município – uma espécie de Guaraná Jesus para os maranhenses.

Segundo a informação, que chegou como forma de plantão com direito a vinheta assustadora e tudo mais, o caso era sério e exigia muito cuidado, pois a doença era passada pelo ar, pela pele, pelos objetos e um dos primeiros sintomas era uma coceira sem fim, daquelas que nem um banho na banheira de gelo amenizaria.

Sintovalda estava tranquila com o anunciado já que seu marido, o Anteonardo, era um santo, um exemplo para a família e amigos. A rotina do cara era sair de casa e ir para o trabalho e vice-versa.

Só que naquela fatídica manhã, o dito cujo mal conseguia sair da cama. Começou a sentir uma coceira sem fim. Num misto de autotortura e desespero, sequer podia encostar uma unhazinha em sua pele para não deixar a esposa com a pulga atrás da orelha. Quase morreu, tamanha coceira.

Bolhas esverdeadas por todo o corpo e rosto também se formariam no terceiro dia de contágio, evidenciando aos demais a prova da contaminação, o que para muitos seria a concretização dos fatos e, por consequência, uma possível emboscada rumo ao cadafalso.

Quem também estava prestes a se deparar frente a frente com a guilhotina era Stefanildo. Ao contrário de Anteonardo, esse não conteve a comichão, coçando o corpo inteiro frente à mulher, que também tomou ciência da origem do tal vírus da casa vermelha.

Genival, Cremilson, Zaías e Damielvison começaram a sentir os mesmos sintomas. O terror estava à solta. Além do medo do que mais essa doença viria a causar, o maior temor era a descoberta das esposas Albertina, Fia, Carmeliana e Josvênia.

Carmeliana não era muito adepta da rede social, mas gostava muito de conversar na calçada com as outras três mulheres. Zaías tratou logo de falar para a mulher que um vírus aterrorizante pairava na cidade e que ninguém poderia sair de casa, nem sequer a abrir a janela de casa por quarenta dias.

Damielvison, que acorda sempre antes da esposa, deixou um recadinho para a mulher avisando que teria que trabalhar por um mês em outra cidade e picou a mula.

Já Genival e Cremilson não tiveram muito o que fazer, o primeiro foi logo se desculpando dizendo que não era nada do que Albertina estava pensando e que apenas foi ao inferninho do piscante vermelho prestar seu serviço como eletricista. Cremilson teve que se virar e se coçar sozinho depois de Fia, a companheira, jogar suas roupas e o próprio pela janela da casa térrea.

Aos que disfarçaram a coceira, ainda havia uma luz no fim do túnel. Para não passar para a segunda fase da doença, bastava esfregar o corpo inteiro com um sabonete manipulado por uma indústria de uma cidade vizinha, cujo dono era sobrinho do prefeito de Paraguape do Sul.

A procura foi tamanha que foi necessário reabastecer duas vezes as farmácias locais.

Até mesmo os insumos para a produção do produto haviam acabado e a fábrica parou de produzir o tal remédio milagroso. O sobrinho do prefeito passou a rir à atoa, não tinha sequer um sabonetezinho nas prateleiras.

Descobriu-se depois que tudo não passou de um boato para vender os tais sabonetes, sob a promessa de uma rechonchuda propina ao tio político, com pequeno percentual à rede social, que também pertencia à família do prefeito.

Quarenta dias se passaram. Margô, a cafetina, que já não tinha mais clientes, teve que fechar seu ganha pão. Sob forma de recompensa pelo prejuízo causado, as “primas” do bordel passaram a receber um auxílio emergencial da prefeitura de Paraguape do Sul com verba retirada da Educação das criancinhas.

Para comemorar o fim daquilo que nunca aconteceu, o pastor da única igreja da cidade chamou toda a comunidade para participar de um culto com a presença do mais elevado membro da entidade, o dono da bola, digamos assim, bispo Erveraldo, recém-chegado do exterior.

No dia seguinte, outro plantão alertava a todos os fiéis sulparaguenses sobre a existência de um vírus assustador trazido pelo ilustre convidado.

Cinco dias seriam o suficiente para a lambança toda. Apenas um antídoto resolveria o caso. Para agilizar todo esse processo e deixar a cidade inteira a salvo, o pastor já teria negociado a compra do remedinho para revender a toda a população.

Que Deus abençoe esse pastor visionário e família, que inclui a esposa do prefeito.

(Imagem Freepik)