Mas todo mundo faz isso

Já ouviu a famosa frase: “Você não é todo mundo”? Eu a escutei muito no passado e a pronunciei também num presente um pouco distante. Hoje, ao observar uma conversa entre mãe e filho, essa frase me veio à mente. Aliás, essa é uma expressão que parece ser quase um lema nessa relação, para justificar o injustificável “mas todo mundo faz isso”, não é mesmo?

E vamos combinar, as mães têm toda a razão. Em casos como esse, e em 99% dos outros, elas estão absolutamente certas. Imagine se todos fôssemos iguais. Estar certo o tempo todo deve ser um tédio. Cometeríamos as mesmas sandices sem perceber que somos sandeus ou insensatos.

Onde estaria o debate, a troca de ideias, de informações e pensamentos? Seríamos todos loucos e, ao mesmo tempo, todos sãos. Cadê a graça nisso?

Não haveria discussões, nem esquerdalhas ou gado. E, olha, tem gente que diria que isso até seria um alívio. Confesso que em alguns casos eu até concordaria.

Mas e se estivéssemos certos de que todos à nossa volta estariam errados? Quem nos julgaria? E se estivéssemos equivocados, acreditando firmemente na certeza do erro? Seria um caos às avessas, e de um jeito bem sem graça.

O tempo nos mostra que, no final das contas, as mães são como se tivessem feito doutorado e pós-doutorado no quesito “eu sei o que estou dizendo e você não é todo mundo”. E ainda bem por isso!

Como é bom ser diferente, não se embalar pela massa, pelo todo. E aqui trago mais uma reflexão e que talvez mereça um espaço próprio: bom ser diferente, contanto que todas as diferenças sejam respeitadas.

Crônica da escritora e jornalista Claudia Rato, autora do livro Pra mim vohttps://pramimvocemorreu.com.br/cê morreu

(Imagem: Freepik)

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